terça-feira, 29 de março de 2011

Solar de Juca Dantas

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Inda ontem, Coronel, fui ter à casa da justiça
Ver o vosso humilde inventário:
A faca de prata para o oleiro Antônio Olímpio,
O relógio de bolso em quinhão ao neto varão.
Mas pendendo do selim, assassinado,
A vossa lembrança sobre as caçambas de prata,
Que sustinha, no Bragado, o vosso honrado pé.
E a mim? Quem me sustém? Quem é?
Ai de mim, sem herança toda a gente é,
Se venho doutras forjas, doutras missas
E doutros sertões - cargueiro de miséria que sou,
Carregado de minérios e velhas escrituras.
Terras de um sabor esquisito em mãos de outrem.
Com redobrados cuidados, é certo,
Contudo sem sombras e sem infâncias,
Sem selim e as caçambas de prata

Dantas Motta, Elegias do País das Gerais

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