Um poema deve sempre emocionar?
Sim, deve emocionar primeiro o poeta e depois o leitor.
Ferreira Gullar, em entrevista à revista BRAVO!
terça-feira, 14 de abril de 2009
terça-feira, 10 de março de 2009
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Eu e minha cidade
Talvez a maior alegria que já tive, como poeta, foi a apreciação crítica de meu primeiro livro pelo grande poeta Carlos Nejar que, em sua singela manifestação, disse-me, entre outras coisas, que o livro deveria se chamar "Sentimentos do Turvo", devido ao poema abaixo:
EU E MINHA CIDADE
Noite de lua baixa,
os cães ladram.
Grossas árvores centenárias
conversam em idioma próprio,
choram.
Os galos cantam
antes da hora,
um cadáver é velado
na penumbra;
alguém chora.
Céu raso,
colégio de estátuas.
Lúgubres gatos
caminham sem alarde.
Paisagens do Turvo.
Eu e minha cidade.
A solidão é fria;
o sono, enfadonho.
As casas dormitam
nas frias ruas;
garimpeiros de sonhos.
Um solitário pau-brasil
na praça vazia.
O esboço de objetos que
despertam sentimentos,
olhar turvo, miopia.
Casario antigo, tão belos à luz do luar;
um casebre na encosta do morro
possui também sua beleza,
pois pertence a este lugar.
Senhores e senhoras de idade.
Situações do Turvo.
Eu e minha cidade.
A história ferindo os olhos,
sentida na carne, no coração.
Nas ruas, o cheiro da vida,
nas casas, da morte, a condição.
O passado que faz chorar,
o futuro que desafia.
Filhos da terra
a ela retornarão!
Lugar onde se nasce,
chão onde se cria.
Folhas secas no solo,
alimentos da árvore são.
Nossos mortos, exemplos nossos,
vivos, in memoriam, estão,
desafiando os covardes.
Sentimentos do Turvo.
Eu e minha cidade.
EU E MINHA CIDADE
Noite de lua baixa,
os cães ladram.
Grossas árvores centenárias
conversam em idioma próprio,
choram.
Os galos cantam
antes da hora,
um cadáver é velado
na penumbra;
alguém chora.
Céu raso,
colégio de estátuas.
Lúgubres gatos
caminham sem alarde.
Paisagens do Turvo.
Eu e minha cidade.
A solidão é fria;
o sono, enfadonho.
As casas dormitam
nas frias ruas;
garimpeiros de sonhos.
Um solitário pau-brasil
na praça vazia.
O esboço de objetos que
despertam sentimentos,
olhar turvo, miopia.
Casario antigo, tão belos à luz do luar;
um casebre na encosta do morro
possui também sua beleza,
pois pertence a este lugar.
Senhores e senhoras de idade.
Situações do Turvo.
Eu e minha cidade.
A história ferindo os olhos,
sentida na carne, no coração.
Nas ruas, o cheiro da vida,
nas casas, da morte, a condição.
O passado que faz chorar,
o futuro que desafia.
Filhos da terra
a ela retornarão!
Lugar onde se nasce,
chão onde se cria.
Folhas secas no solo,
alimentos da árvore são.
Nossos mortos, exemplos nossos,
vivos, in memoriam, estão,
desafiando os covardes.
Sentimentos do Turvo.
Eu e minha cidade.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Onde enterraram nossa história?
Começo esse ano de 2009, meio tarde, é certo, mas começo com um poema do meu novo livro que, se tudo correr bem, será publicado este ano.
Onde enterraram nossa história
Onde enterraram nossa história?
De certo no mesmo local onde
jazem as nossas esperanças.
Sendo cartas, documentos e fotografias
nada mais do que nossas memórias
materializadas.
Onde estarão enterradas nossas memórias?
De certo dentro de nós mesmos onde
jazem todas as nossas esperanças.
Eis que se faz necessário
revolver a terra,
expor os ossos.
Desenterrar nossa história,
expô-la à luz do sol,
aos olhos de todos.
Descobrir o jazigo da história e
exumá-la juntamente com
nossas esperanças, pois que
certamente foram enterradas juntas.
Onde enterraram nossa história
Onde enterraram nossa história?
De certo no mesmo local onde
jazem as nossas esperanças.
Sendo cartas, documentos e fotografias
nada mais do que nossas memórias
materializadas.
Onde estarão enterradas nossas memórias?
De certo dentro de nós mesmos onde
jazem todas as nossas esperanças.
Eis que se faz necessário
revolver a terra,
expor os ossos.
Desenterrar nossa história,
expô-la à luz do sol,
aos olhos de todos.
Descobrir o jazigo da história e
exumá-la juntamente com
nossas esperanças, pois que
certamente foram enterradas juntas.
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
A gente anda é pra frente
A gente anda é pra frente,
é certo,
mas que pensamento voa pra trás
também,
com a cabeça no mundo da lua,
olhar fixo,
pensando no nada das coisas.
Que a gente anda é pra frente,
mesmo com um frio na
barriga a gente avança.
Feito andar a cavalo de noite.
Que cavalo enxerga no escuro,
mas gente não.
Feito avançar a Rainha
quando se enfrenta
adversário mais forte.
E é por essas e outras
que trago sempre um livro
no quente do coração,
pois que um livro bom na hora certa
é comida predileta no ápice da fome.
é certo,
mas que pensamento voa pra trás
também,
com a cabeça no mundo da lua,
olhar fixo,
pensando no nada das coisas.
Que a gente anda é pra frente,
mesmo com um frio na
barriga a gente avança.
Feito andar a cavalo de noite.
Que cavalo enxerga no escuro,
mas gente não.
Feito avançar a Rainha
quando se enfrenta
adversário mais forte.
E é por essas e outras
que trago sempre um livro
no quente do coração,
pois que um livro bom na hora certa
é comida predileta no ápice da fome.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Dia dos pais


Presente do dia dos pais:
2 livros de Manoel de Barros e
1 do Mário Quintana.
as dedicatórias:
o amor de minha amada esposa
o amor dos meus filhinhos e
a assinatura de cada um deles.
2.
A de muito que na Corruptela onde a gente
vivia
Não passava ninguém
Nem mascate muleiro
Nem anta batizada
Nem cachorro de bugre.
O dia demorava de uma lesma.
Até uma lacraia ondeante atravessava o dia
por primeiro do que o sol
E essa lacraia ainda fazia uma estação de
recreio no circo das crianças
a fim de pular corda.
Lembrava a tartaruga de Creonte
que quando chegava na outra margem do rio
as águas já tinham até criado cabelo.
Por isso a gente pensava sempre que o dia
de hoje ainda era ontem.
A gente se acostumou de enxergar antigamentes.
(Manoel de Barros, do livro Poemas Rupestres,
um dos meus presentes deste dia dos pais)
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